A despeito de todas as dificuldades da economia, o empresariado brasileiro dá a cada dia provas concretas da versatilidade e competência da cadeia nacional de fornecedores de equipamentos e tecnologias. A RIO analytics é um exemplo neste sentido. Com um ano de vida, a companhia tem fornecido soluções de inteligência artificial (IA) 100% desenvolvidas no Brasil para diversos setores, dentre eles o de óleo e gás. A tecnologia é usada para predição de falhas em dutos submarinos. O CEO da companhia, Victor Chaves, detalha que a RIO está começando a atuar também na área de IA para equipamentos submarinos, como árvores de natal e manifolds. “O objetivo do projeto é otimizar o equipamento e a operação em si, para reduzir o custo de parada inesperada devido a falha em componentes”, explicou. Além disso, a empresa fechou recentemente uma parceria nos Estados Unidos para expandir sua atuação no Golfo do México, onde deve fechar aos menos três contratos de fornecimento do seu sistema até o final do ano.

Qual tem sido o foco da empresa no setor de óleo e gás?

RIO analytics tem uma solução de inteligência artificial em risers. Essa área de atuação surgiu por meio do meu mestrado em engenharia submarina que fiz na COPPE/UFRJ (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Eu também trabalhei muitos anos na Technip no departamento de pesquisa e desenvolvimento. O produto da RIO nasceu desta tese acadêmica. Hoje, em óleo e gás, usamos a inteligência artificial para predição de falhas em dutos submarinos, principalmente.

Estamos começando também a atuação na área de inteligência artificial para predição de falhas de equipamentos submarinos, como árvores de natal e manifolds.

O senhor poderia explicar como seria a aplicação da inteligência artificial em equipamentos?

Este é um projeto confidencial com o fabricante, mas podemos dizer que o objetivo do projeto é otimizar o equipamento e a operação em si, para reduzir o custo de parada inesperada devido a falha em componentes. Nosso sistema consegue prever se algum componente vai falhar ou se está perdendo calibração, por exemplo. 

Como está o momento atual de negócios?

Na área de tecnologia dentro óleo e gás, temos a convicção de que Houston, nos Estados Unidos, é um HUB. Por isso, nossa empresa está com uma parceria estratégica com uma companhia americana para desenvolver nossos negócios no Golfo do México. Em termos de Brasil, estamos com muitas prospecções de negócios. Temos também um projeto de pesquisa e desenvolvimento com uma operadora de óleo e gás e projetos com fabricantes de dutos. Tanto com operadores quanto com fabricantes, estamos visualizando uma demanda do nosso produto. O mercado, para nós, está bem aquecido.

Quanto à parceria com a empresa americana, poderia detalhar quais são os objetivos?

A parceria foi feita com uma empresa chamada FlexLife. No ano passado, fizemos um contrato de cooperação não-exclusiva com essa companhia, que estava querendo vir ao Brasil prospectar alguns negócios e, por isso, viramos parceiros. Recentemente, assinamos outro contrato, de cooperação exclusiva para o Golfo do México, com a FlexLife de Houston. É uma parceria onde nossa tecnologia é complementar a deles. A FlexLife tem a parte de monitoramento e nós a inteligência artificial. Para a RIO isso é estratégico, porque ganha capilaridade comercial. Já a FlexLife ganha no sentido de estar ao lado de uma empresa de inteligência artificial, o que é um diferencial para eles.

Quais são as perspectivas com o mercado americano?

Nós acreditamos que nosso sistema estará operando em três plataformas do Golfo do México, de três diferentes operadores, até o final do ano.

Todas as soluções da empresa são fabricadas no Brasil?

As soluções de IA são 100% desenvolvidas aqui no Rio de Janeiro. Nossa equipe é dividida em duas: uma de inteligência artificial e outra de equipamentos e dutos submarinos. Não usamos nenhuma plataforma de IA existente, mas temos a nossa própria plataforma. Somos uma empresa de base tecnológica 100% baseada no Brasil.

Qual será o planejamento de crescimento da empresa para os próximos anos?

A nossa empresa entende que precisamos estar em Houston. No médio prazo, queremos fortalecer nossa operação lá. No Brasil, na área de dutos submarinos, somos muito fortes, mas temos ainda a área de equipamentos onshore. Queremos nos consolidar como um player de referência no quesito aplicação de IA em equipamentos. A RIO quer ser referência no Brasil na área de inteligência artificial em ativos industriais. 

Em quais outros setores, além de óleo e gás, a RIO atua nos dias de hoje?

Estamos em papel e celulose, mineração, construção e alimentos e bebidas. No médio prazo, queremos nos fortalecer nessas áreas. Queremos nos tornar referência no Brasil na parte de inteligência artificial para predição de falhas em ativos industriais. Em termos de pessoal, temos 10 membros hoje, mas até o final de 2019 queremos chegar a 50 pessoas em nossa equipe. 

 

Fonte: https://petronoticias.com.br/archives/112100

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